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Na publicação anterior analisamos os gastos com Atenção Básica nos municípios de Assis e Ourinhos.

No artigo de hoje abordaremos as despesas com Assistência Hospitalar e Ambulatorial.

Os dados da subfunção Assistência Hospitalar e Ambulatorial extraídos do SICONFI revelam um dos pontos mais relevantes da estrutura da saúde pública dos municípios de Assis e Ourinhos.

Essa subfunção concentra grande parte dos custos da média e alta complexidade do SUS municipal, incluindo:

  • internações hospitalares;
  • pronto atendimento;
  • cirurgias;
  • exames especializados;
  • serviços ambulatoriais;
  • convênios hospitalares;
  • contratos terceirizados;
  • atendimentos de urgência e emergência.

Por envolver estruturas altamente custosas e tecnicamente complexas, essa área costuma representar a maior pressão financeira dentro dos orçamentos municipais da saúde.


Evolução das Despesas Hospitalares

Valores Totais

assistência hospitalar e ambulatorial
Fonte dos Dados: SICONFI

O Grande Destaque Está em Ourinhos

Os números mostram que Ourinhos apresentou despesas hospitalares muito superiores às de Assis durante todo o período analisado.

Além disso, o crescimento da série histórica em Ourinhos foi extremamente acelerado, especialmente entre 2022 e 2024.

Enquanto Assis manteve comportamento relativamente gradual, Ourinhos registrou forte expansão das despesas hospitalares.


Diferença Entre os Municípios Cresceu de Forma Expressiva

Quanto Ourinhos Gastou a Mais que Assis

assistência hospitalar e ambulatorial
Fonte: SICONFI

O dado mais impressionante ocorreu em 2024. Naquele exercício, Ourinhos gastou aproximadamente:

2,44 vezes o valor executado por Assis na subfunção Assistência Hospitalar e Ambulatorial.

Esse comportamento demonstra crescimento extremamente intenso da pressão hospitalar sobre o orçamento municipal.


O Que Pode Explicar Esse Crescimento?

Do ponto de vista técnico, vários fatores podem ter contribuído para essa expansão em Ourinhos:

  • aumento da demanda regional;
  • ampliação de serviços especializados;
  • crescimento das internações;
  • contratualizações hospitalares;
  • terceirizações;
  • judicialização da saúde;
  • aumento dos custos hospitalares;
  • expansão da média e alta complexidade;
  • reajustes de contratos;
  • fortalecimento da rede hospitalar regional.

Também é possível que o município tenha assumido papel ainda maior como polo regional de atendimento.

Municípios de referência acabam absorvendo demandas de cidades vizinhas, aumentando significativamente os custos operacionais da saúde.


O Comportamento de Assis Foi Mais Estável

Assis apresentou trajetória mais controlada ao longo da série histórica.

O município saiu de:

  • R$ 59,4 milhões em 2021
  • para R$ 91,2 milhões em 2025.

Isso representa crescimento acumulado aproximado de: +53,5%

Apesar do aumento relevante, o comportamento das despesas demonstra maior estabilidade e menor volatilidade fiscal.

Esse padrão pode indicar:

  • crescimento mais gradual da demanda;
  • maior controle orçamentário;
  • menor expansão hospitalar;
  • política fiscal mais conservadora;
  • estrutura hospitalar menos pressionada.

Entretanto, somente a análise conjunta dos indicadores assistenciais poderá demonstrar se essa estabilidade representa maior eficiência ou menor capacidade operacional da rede.


Ourinhos Apresentou Crescimento Explosivo

O caso de Ourinhos merece atenção técnica aprofundada.

O município saiu de:

  • R$ 77,6 milhões em 2021
  • para R$ 210,4 milhões em 2024.

Isso representa crescimento aproximado de:

+171% em apenas três anos.

Poucas áreas da administração pública municipal apresentam expansão dessa magnitude em período tão curto.

Esse crescimento demonstra forte aceleração das despesas hospitalares e pode representar mudança estrutural importante no sistema municipal de saúde.


A Queda em 2025 Merece Observação

Outro ponto relevante foi a redução das despesas hospitalares de Ourinhos em 2025.

Os gastos caíram de:

  • R$ 210,4 milhões
  • para R$ 162,2 milhões.

Mesmo com a queda, o município continuou apresentando despesas muito superiores às de Assis.

Essa retração pode indicar:

  • encerramento de despesas extraordinárias;
  • readequação orçamentária;
  • revisão contratual;
  • ajuste fiscal;
  • redução de serviços temporários;
  • normalização após forte expansão anterior.

Oscilações dessa magnitude costumam exigir acompanhamento atento dos órgãos de controle e dos Conselhos Municipais de Saúde.


Assistência Hospitalar e Ambulatorial: A Área Mais Sensível da Saúde Pública

A Assistência Hospitalar e Ambulatorial é uma das áreas mais críticas da gestão pública porque combina:

  • alta demanda social;
  • custos elevados;
  • dependência tecnológica;
  • necessidade permanente de custeio;
  • pressão política constante.

Além disso, os municípios convivem com:

  • defasagem de repasses;
  • inflação hospitalar;
  • escassez de profissionais;
  • judicializações;
  • crescimento das doenças crônicas.

Isso faz com que as despesas hospitalares avancem continuamente em praticamente todo o país.


Gastar Mais Não Significa Necessariamente Melhor Atendimento

Um ponto fundamental da análise fiscal é compreender que aumento de despesa não representa automaticamente maior eficiência.

É necessário avaliar também:

  • tempo de espera;
  • número de atendimentos;
  • taxa de ocupação;
  • produtividade hospitalar;
  • indicadores de mortalidade;
  • resolutividade da rede;
  • satisfação da população.

Municípios podem ampliar fortemente os gastos sem necessariamente melhorar proporcionalmente os serviços oferecidos.

Por isso, a análise orçamentária deve sempre ser acompanhada de indicadores qualitativos da saúde pública.


O Impacto Fiscal da Média e Alta Complexidade

A média e alta complexidade são hoje uma das maiores fontes de pressão fiscal sobre os municípios brasileiros.

Quando as despesas hospitalares crescem de forma acelerada, podem ocorrer impactos importantes, como:

  • redução da capacidade de investimento;
  • aumento de restos a pagar;
  • pressão sobre o caixa municipal;
  • dependência crescente de transferências;
  • desequilíbrio fiscal estrutural.

O desafio da gestão pública moderna é equilibrar:

  • atendimento à população;
  • sustentabilidade financeira;
  • eficiência operacional;
  • qualidade assistencial.

O Papel do Controle Social

Diante de despesas hospitalares cada vez maiores, torna-se ainda mais importante a atuação dos Conselhos Municipais de Saúde.

O controle social permite acompanhar:

  • contratos hospitalares;
  • evolução das despesas;
  • prioridades da gestão;
  • metas assistenciais;
  • eficiência da aplicação dos recursos.

A transparência proporcionada pelo SICONFI fortalece a fiscalização cidadã e amplia a capacidade de análise técnica da sociedade.


Conclusão

A comparação da subfunção Assistência Hospitalar e Ambulatorial entre Assis/SP e Ourinhos/SP revela comportamentos fiscais bastante distintos.

Enquanto Assis apresentou crescimento mais gradual e estável, Ourinhos registrou forte aceleração das despesas hospitalares, especialmente entre 2022 e 2024.

Os números sugerem que Ourinhos vem enfrentando pressão hospitalar significativamente maior, possivelmente associada à ampliação da rede, aumento da demanda regional e crescimento da média e alta complexidade.

Entretanto, a verdadeira eficiência desses gastos somente poderá ser avaliada quando analisados conjuntamente indicadores de qualidade, produtividade e capacidade assistencial.

Mais do que gastar mais, o grande desafio da saúde pública municipal é transformar recursos financeiros crescentes em atendimento eficiente, sustentável e capaz de melhorar efetivamente a vida da população.

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