Na publicação anterior analisamos os gastos totais em saúde nos municípios de Assis e Ourinhos, no artigo de hoje iremos abordar as despesas com Atenção Básica.
Os dados da subfunção Atenção Básica extraídos do SICONFI revelam diferenças bastante expressivas entre os municípios de Assis e Ourinhos ao longo dos últimos cinco anos.
A Atenção Básica é considerada a principal porta de entrada do SUS e um dos maiores indicadores da capacidade preventiva da gestão municipal. É nessa área que se concentram os atendimentos primários, acompanhamento familiar, vacinação, prevenção de doenças e monitoramento contínuo da saúde da população.
Por isso, a análise dessa subfunção permite compreender muito sobre a estratégia administrativa adotada por cada município.
Evolução das Despesas com Atenção Básica
Valores Totais

Ourinhos Mantém Investimentos Muito Superiores
Os números mostram que Ourinhos investiu significativamente mais em Atenção Básica durante todo o período analisado.
A diferença entre os municípios permaneceu extremamente elevada em todos os exercícios.
Quanto Ourinhos Gastou a Mais que Assis

O dado de 2025 chama especialmente a atenção.
Naquele exercício, Ourinhos praticamente dobrou o volume de despesas de Assis na Atenção Básica.
Isso pode indicar:
- maior cobertura da Estratégia Saúde da Família;
- ampliação das equipes multiprofissionais;
- expansão das UBSs;
- fortalecimento de programas preventivos;
- maior estrutura operacional;
- maior demanda populacional regional;
- crescimento das despesas com pessoal da saúde.
Crescimento Acumulado da Atenção Básica
Outro ponto relevante é o crescimento acumulado das despesas ao longo da série histórica.
Assis/SP
- 2021: R$ 17,1 milhões
- 2025: R$ 30,3 milhões
Crescimento acumulado aproximado:
+76,9%
Ourinhos/SP
- 2021: R$ 29,5 milhões
- 2025: R$ 58,8 milhões
Crescimento acumulado aproximado:
+98,7%
Os números demonstram que Ourinhos não apenas gastou mais, mas também acelerou de forma mais intensa os investimentos na Atenção Básica.
O Que Isso Pode Significar?
Do ponto de vista técnico, o crescimento da Atenção Básica costuma ser interpretado positivamente, porque essa subfunção atua diretamente na prevenção e redução da pressão hospitalar.
Municípios que fortalecem a atenção primária tendem a:
- reduzir internações evitáveis;
- diminuir custos hospitalares futuros;
- melhorar indicadores de saúde;
- ampliar acesso da população;
- aumentar eficiência do SUS municipal.
Entretanto, crescimento de despesa isoladamente não garante eficiência.
É necessário avaliar também:
- quantidade de equipes;
- cobertura populacional;
- produtividade das unidades;
- qualidade do atendimento;
- indicadores epidemiológicos;
- tempo de espera;
- satisfação da população.
Assis Demonstra Crescimento Mais Estável
Embora os valores absolutos sejam menores, Assis apresentou trajetória relativamente consistente de crescimento.
O município aumentou bastante os investimentos em Atenção Básica entre 2021 e 2025, mas sem oscilações abruptas.
Isso pode indicar:
- expansão gradual da rede;
- crescimento mais controlado das despesas;
- maior estabilidade orçamentária;
- planejamento fiscal mais conservador.
A estabilidade da série sugere comportamento financeiro mais previsível e sustentável.
O Salto de Ourinhos em 2024 e 2025
O comportamento de Ourinhos chama bastante atenção nos dois últimos exercícios.
Entre 2023 e 2025, o município saiu de:
- R$ 41,7 milhões
- para R$ 58,8 milhões.
Isso representa crescimento aproximado de:
+40,9% em apenas dois anos.
Esse movimento pode estar relacionado a:
- ampliação da cobertura da atenção básica;
- contratação de novas equipes;
- reajustes salariais;
- fortalecimento de programas federais;
- expansão de unidades;
- reorganização da política municipal de saúde.
Também pode indicar mudança de estratégia administrativa, priorizando ações preventivas em detrimento da pressão hospitalar futura.
Atenção Básica Forte Pode Reduzir Custos Hospitalares
Um dos princípios mais importantes da saúde pública moderna é que sistemas preventivos eficientes tendem a reduzir gastos hospitalares de alta complexidade.
Quando a Atenção Básica funciona adequadamente, há:
- diagnóstico precoce;
- acompanhamento contínuo;
- prevenção de agravamentos;
- redução de internações evitáveis;
- controle mais eficiente de doenças crônicas.
Por isso, municípios que investem fortemente nessa subfunção costumam buscar sustentabilidade de longo prazo para o sistema de saúde.
O Impacto Fiscal da Expansão da Atenção Básica
Apesar dos benefícios sociais, o crescimento contínuo dessa subfunção também gera desafios fiscais importantes.
A Atenção Básica depende fortemente de:
- contratação de pessoal;
- manutenção das unidades;
- aquisição de medicamentos;
- custeio contínuo;
- financiamento federal.
Assim, aumentos acelerados exigem capacidade financeira permanente para manutenção da estrutura.
O grande desafio da gestão pública é equilibrar:
- expansão dos serviços;
- qualidade do atendimento;
- sustentabilidade fiscal.
A Importância do Controle Social
Os dados reforçam também a importância da atuação dos Conselhos Municipais de Saúde.
O acompanhamento da evolução da Atenção Básica permite ao controle social avaliar:
- prioridades da gestão;
- eficiência da aplicação dos recursos;
- expansão da cobertura;
- cumprimento de metas do SUS;
- sustentabilidade da política pública.
A transparência proporcionada pelo SICONFI fortalece o debate técnico e amplia a fiscalização cidadã sobre os gastos públicos municipais.
Conclusão
A análise comparativa da Atenção Básica entre Assis/SP e Ourinhos/SP demonstra estratégias distintas de aplicação dos recursos públicos em saúde.
Enquanto Assis apresentou crescimento gradual e relativamente estável, Ourinhos realizou expansão muito mais intensa dos investimentos, alcançando valores significativamente superiores ao longo de toda a série histórica.
Os números sugerem que Ourinhos vem priorizando fortemente a atenção primária em saúde, possivelmente buscando ampliar cobertura, prevenção e capacidade operacional do SUS municipal.
Entretanto, a análise definitiva da eficiência dessas despesas depende da avaliação conjunta de indicadores de qualidade, cobertura populacional, produtividade e resultados efetivos entregues à população.
Mais do que gastar mais, o verdadeiro desafio da gestão pública é transformar recursos financeiros em serviços de saúde eficientes, sustentáveis e capazes de melhorar a qualidade de vida da população.